Peguei
o ônibus de volta para casa e cá estou eu, pensando em “voz alta” no que fiz e
no que deveria fazer. No que fiz já é passado e não tem mais o que fazer. Mas,
no que devo fazer daqui para frente é um mistério insondável.
Sempre
tem aqueles filmes inspiradores em que a mulher sofredora vai parar num lugar
chato, tipo Bali, e ali resolve todos os problemas de sua vida numa simples
reflexão, com o bônus extra de um amor fantástico e cheio da grana, mesmo
porque, para estar naquele lugar chato e fim de mundo tem que ter muita grana,
até mesmo ela. Não é o meu caso, infelizmente. Nem mesmo sou linda! O que torna
tudo contra os meus sonhos de divorciada-pensionista.
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Veja bem, querida – esta é minha mãe -, você mesma permitiu que isso
acontecesse a você. Se o seu casamento acabou foi porque deixou. Agora, levante
a cabeça! Você tem um potencial enorme. Não pode viver assim... assim... vendendo
todas as suas coisas para... para... Por que está pondo suas coisas à venda?
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Para pagar o banco. – enquanto amassava o pão.
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Entrou no limite? – espantada, porque ela é um rigor extremo nisso.
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Claro. Como sempre. – sovando a massa.
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Precisa ser mais cuidadosa com isso. Ser mais disciplinada. Você não pode
gastar o que não tem.
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Então é melhor eu me trancar em casa, fazer uma horta e comer só cenouras e
batatas o resto da minha vida.
Sovei
mais a massa. Com certeza o pão será um dos melhores que já fiz.
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